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O Agro é mesmo Tech

Publicado por Cláudia de Abreu Martins e Nascimento | 17 Dez 2018 - 15:45

Fazendo alusão à chamada criativa da Rede Globo, que, diga-se, é um jingle “chiclete”, instigo-lhes, ante a discussão tão reiteradamente propalada acerca da necessidade de adequação da cultura dos agrotóxicos ao encaixe (efetivo) com a sustentabilidade, a analisarmos noutra ponta, e, não menos importante, a mais “sossegada” situação da pecuária no país.

Explico. Com as inovações no setor, há muito utilizadas (décadas) no que diz respeito à reprodução, a inseminação artificial, prevista no Art. 77 da Lei n. 4.504/64 (Estatuto da Terra) é uma carta na manga do pecuarista que pode investir para obter rebanho de qualidade com data marcada para o retorno financeiro, sendo visto, então, como plenamente rentável.

A inseminação bovina é de longe a técnica mais utilizada entre os criadores de gado mais antenados e preocupados com a rapidez de sua lucratividade, envolvendo investimento certeiro em bons resultados, servindo como verdadeiro multiplicador de renda para o produtor rural. Como observa a veterinária Luanna Queiroz Soares, CRMV/GO 4840:

“A vantagem principal é o ganho genético, concernente ao sêmen de vários touros, inclusive internacionais, sem o desembolso com o touro em si, obtendo genéticas variadas na mesma propriedade, e, consequentemente o ganho com a produtividade é elevado, pois ganha-se em qualidade. Há tempos o produtor rural é forçado a buscar melhorias, visto que o ganho por animal é pouco, e melhorando o rebanho, seu lucro é aumentado, seja na venda da carcaça ao frigorífico, seja na produção aumentada de leite.”

Para finalizar, a profissional sinaliza a exemplo da rapidez no giro do valor investido no gado de corte, que para o “produtor que não utiliza nenhuma tecnologia genética, o prazo para abate seria na média de 3 anos a 3 anos e meio, já com investimento na tecnologia por meio da inseminação, a redução para o abate é de 1 ano.”

Além do que, não é necessário ter expertise profissional no manejo da inseminação, a exemplo do projeto realizado pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) promovido em assentamentos rurais, que recebem assistência técnica para gerar conhecimento e aperfeiçoamento a médio e longo prazo[1].

Com rebanhos tão qualificados, o país figura entre os maiores produtores de proteína animal do mundo, uma das razões pelas quais acabam surgindo as mais diversas discussões na seara jurídica, visto que para produzir o melhor rebanho há de se investir no melhor pasto, o que leva ao cumprimento ou não da legislação ambiental, já que o desmatamento atribuído aos pecuaristas se deve, em grande parte, à necessidade do investimento na pastagem.

A discussão, portanto, é vasta, abrangendo desde a questão de como deve o produtor rural obter pasto o ano inteiro utilizando-se defensivos agrícolas nocivos, à como utilizar-se dos meios hídricos, sem se valer da sua contaminação ou escassez.

Dessa forma, como medida sagaz de melhorar a reprodução, seja na quantidade, seja na qualidade, a utilização da inseminação na pecuária por meio de iniciativas como a do INCRA, alhures citada, devem ser difundidas país a dentro, visando possibilitar aos pequenos produtores beneficiarem-se com a técnica já comprovadamente rentável, visto encaixar-se em verdadeira política pública.

Cláudia de Abreu Martins e Nascimento

Advogada JCA  



[1] Fonte: http://www.incra.gov.br/noticias/maraba-pa-assentados-recebem-capacitacao-sobre-inseminacao-artificial-em-bovinos