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Governança Corporativa em Empresas Familiares

Publicado por Dâmaris Freitas | 02 Out 2018 - 18:15

Nos últimos tempos a Governança Corporativa recebeu particular popularidade entre os agentes envolvidos e no mercado de capitais brasileiro. Esta se insere nos debates com o tema de desenvolvimento do mercado de capitais nacional, com destaque para o mercado de ação e a sua atuação no crescimento econômico (SCHNORRENBERGER et al., 2007).

De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) a governança corporativa é importante em mercados desenvolvidos e emergentes, sugerindo relações baseadas nas experiências entre a proteção ao investidor e o valor da empesa.

Ainda segundo o IBGC um estudo realizado em parceria com a Booz & Company (2003) sobre o panorama de Governança Corporativa no Brasil, apresenta que após a implementação da governança corporativa houve uma melhoria na gestão das organizações, na imagem das empresas e permitiu um melhor alinhamento entre os acionistas e executivos, facilitando o acesso ao capital. Essa melhoria tem ocorrido devido à preocupação na adequação de empesas para um modelo mais transparente e dinâmico de organização (IBGC, 2010).

Algumas pessoas relacionam o processo de Governança Corporativa, simplesmente com a troca de pessoal ou a gestão. A mudança, por si só não é suficiente, pois a organização precisa entender e aceitar as práticas da governança, além de fixar os valores dentro desse novo modelo de gestão. A conscientização por parte de todos os colaboradores, é de extrema importância para o sucesso desta mudança.

Governança corporativa é um sistema empregado pela alta gestão de uma organização para precaver excessos de poder e criar ferramentas de fiscalização das regras, tendo como retorno uma gestão mais completa e competente. De maneira geral governança corporativa pode ser entendida como mecanismos ou princípios que governam o processo decisório de uma empresa. É um conjunto de regras que busca minimizar os problemas (SCHNORRENBERGER et al., 2007).

De acordo com Lameira (2001) governança corporativa pode ser definida não só como uma ferramenta de controle dos acionistas e da administração, mas também tem um sentindo mais aberto, colocando uma supervisão nas relações entre os interessados, como acionistas majoritários, minoritários, administradores e credores.

Já para o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – IBGC (2016) consiste em um sistema no qual empresas são monitoradas e incentivadas a desenvolverem um relacionamento entre os sócios, conselho administrativo, diretoria, órgãos fiscalizadores e controle. Esses métodos visam o alinhamento de interesses da organização e assim facilitar o acesso as informações, além de contribuir para sua longevidade e o bem comum. As práticas da governança têm como escopo o aumento do valor da sociedade, facilitando o acesso ao capital e contribuindo para a perenidade.

Ainda segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa IBGC (2016), os princípios básicos da governança permeiam, em maior ou menor grau, todos os códigos de melhores práticas da governança e sua adequada adoção resultam em uma relação de confiança interna e no relacionamento com terceiro para o desenvolvimento da Governança Corporativa em uma organização, que são:

·                    Transparência: refere-se a disponibilizar informações de confiança, rápidas a todos os interessados, envolvidos. Não deve se restringir a performance econômica e financeira, considerando também os demais fatores que norteiam as ações gerenciais e que administram a preservação e a otimização do valor da empresa.

·                    Equidade: refere-se ao tratamento justo a todos os sócios e demais partes interessadas. Considerando seus deveres, necessidades, expectativas, interesses e direitos.

·                    Prestação de Contas (accountability): devem prestar contas de suas atividades assumindo integralmente as consequências, por parte dos agentes de governança, atuando de modo claro, acessível, conciso e oportuno.

·                    Responsabilidade Corporativa: refere-se aos agentes que devem manter a viabilidade da empresa, diminuindo as externalidades negativas de seus negócios e operações, aumentando os positivos. Levando em consideração o seu modelo de negócio e os diferentes capitais a longo, médio e curto prazo.

Esses princípios servem para caracterizar a governança corporativa e são relevantes para a implantação deste modelo de gestão em uma empresa.     

A governança corporativa em empresas familiares estabelece uma relação não apenas entre propriedade e gestão, mas também relações entre as famílias. A aplicação da governança destas empresas necessita da capacidade, da família definir os objetivos, criando mecanismos formais e legais para administração das diferenças e conflitos (LODI, 1978).

Empresas familiares se identificam com uma família no poder por mais de uma geração. Essas empresas nascem a partir da segunda geração de gestores, considerando a sucessão ligada ao fator hereditário, prevalecendo os valores institucionais da primeira geração. Modelos que são apenas de fundador sem herdeiros ou mesmo famílias que simplesmente aplicam capital, não podem ser considerados empresas familiares (LODI, 1978).

Segundo Lodi (1978) muitos acreditam que quando há uma junção de empresa e família, os resultados serão ineficientes. Empresas familiares bem-sucedidas mostram que isso não precisa acontecer necessariamente. Não é a família que atrapalha a empresa, nem o contrário, e sim a ignorância no relacionamento e a falta de padrões e normas.        

Empresas familiares convivem com uma incompatibilidade entre suas razões e emoções no mundo dos negócios.  Isto é, as questões emocionais envolvidas nas tomadas de decisões afetam toda a estrutura da empresa. Deve-se trabalhar, por parte dos envolvidos, essa separação para atingir os objetivos da firma (SOUZA, 2011).

Um dos fatores de maior conflito nas empresas familiares é a fase da sucessão na gestão. Esse conflito se torna aparente devido aos vários problemas estruturais dos dirigentes, que em determinado momento percebem a necessidade de formar o sucessor e seguir com a próxima geração. Um melhor entendimento da cultura organizacional e um bom planejamento por parte da direção é a capacidade de transformar essa ação em vantagem (LODI, 1978).

Segundo Donnelley (1976, p.180), “ao longo da vida da organização a sucessão de administradores que são membros da família e que se revelem competentes acaba por criar um sentimento de grande lealdade para com a firma”.

Dentro de um mercado cada vez mais competitivo e globalizado sair do básico, se mostra de vital importância para a sobrevivência de empresas familiares no Brasil. Organizações familiares outrora acomodadas em modelos de gestão centralizadores, buscam cada vez mais novas maneiras de se diferenciarem no mercado. Com o foco na expansão da empresa familiar, que passa a ser obrigada a se profissionalizar. Não que haja necessidade de mudança no modelo de negócio da organização, mas sim uma adequação dos processos a serem adotados (SOUZA, 2011).

Dâmaris Freitas, Colaboradora da JCA